Como as leis que suspenderam Brasil x Argentina podem afetar o GP de São Paulo de F1

A determinação de uma quarentena de 14 dias em solo brasileiro para residentes ou passageiros oriundos do Reino Unido, sobretudo, se devidamente seguida à risca como aconteceu com quatro jogadores da Argentina e que teve, como consequência, o adiamento do jogo contra o Brasil pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, pode afetar a realização do GP de São Paulo de F1.

Não estão nada claros os fatos, até o presente momento, que se sucederam no futebol para que a partida não acontecesse na NeoQuímica Arena, em São Paulo, na tarde deste domingo. A princípio, os quatro jogadores argentinos que pertencem a times ingleses omitiram em seus cartões de chegada, dias atrás, na alfândega do país, a estadia no Reino Unido. O caso teve seu fato visível na presença de membros da Anvisa e da Polícia Federal dentro do gramado quando o jogo já tinha 6 minutos. A Argentina se retirou de campo. A partida foi suspensa.

Entende-se que os jogadores em questão serão deportados porque infringiram as leis sanitárias do Brasil.

Se as leis ainda estiverem em vigor até a penúltima semana de outubro, a situação fica delicada para a realização da corrida, remarcada para os dias 12 a 14 de novembro.

Aplicando um cálculo meramente numérico, quem quer que more ou tenha passado pelo Reino Unido e não seja brasileiro deve cumprir 14 dias de restrições de locomoção em território nacional. Assim, este período se iniciaria, em última data, em 28 de outubro, terminando na quinta-feira, 11 de novembro.

Isto acaba sendo mais rígido para quem estiver envolvido diretamente com o Mundial de F1. Porque se qualquer um dos membros – de pilotos a mecânicos, de dirigentes a engenheiros – que viaja a todas as corridas pisar em solo britânico em 28 de outubro ou em data posterior não pode participar do GP de São Paulo.

É porque o GP da Cidade do México acontece uma semana antes da etapa em Interlagos, ou seja, entre 5 e 7 de novembro.

Há um GP dos EUA marcado para 24 de outubro. Na prática, todo este cenário indica que ninguém da Fórmula 1 pode pensar em voltar para um destino que passe pelo Reino Unido, que tem 70% das equipes lá baseadas, depois da corrida em Austin. Senão não cumpre a quarentena no Brasil.

O GP de São Paulo está assim denominado depois da briga política entre o governador de SP, João Doria, e o presidente Jair Bolsonaro, outrora aliados figadais. A Anvisa é um órgão federal.

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Por que a ‘corrida’ belga representou uma vergonha

SÃO PAULO – Primeiro de tudo, uma não-corrida dá tanto ou mais trabalho que uma corrida. Lá pelas 9 e pouco da noite de domingo, conversava com Evelyn Guimarães que me sentia, naquele momento, na sala de imprensa de Interlagos ao lado dela, entre definição de conteúdo e comentários aleatórios, pronto para fecharmos o espaço.

Pouco vou discorrer sobre a decisão de não correr na Bélgica: ela é absolutamente correta. Pouco, também, me importa a visão de quem olha para trás e baseia os argumentos colhões de que as coisas eram diferentes nos tempos de Schumacher, Senna, Ickx, Moss, Fangio, Nuvolari, Júlio César ou Noé. Se quer consumir o passado, vai lá ver o Discovery History ou o Viva. Se a F1 quer manter seus pilotos seguros e vivos, é assim de tem de ter, e ponto.

O ponto é a linha do tempo que levou à decisão de não correr na Bélgica. É acompanhar em detalhes – e os tempos atuais de redes sociais são preponderantes nisso – como Michael Masi, na figura centralizada de diretor de prova e, portanto, aquele a bater o martelo, foi desrespeitoso e levou ao que, em geral todos aqui no Grande Prêmio, trataram como vergonha, vexame, farsa ou adjacentes.

Às 15h locais de Spa-Francorchamps, não foi dada a largada do GP da Bélgica. Já começa por aqui o primeiro ponto importante. Havia uma indicação de que os carros começariam atrás do safety-car e, se houvesse a condição propícia, seria dada bandeira verde – com a possibilidade de uma largada parada. Segundos antes de a pista ser liberada, a chuva apertou. Houve a interrupção em si.

Em nenhum momento, houve qualquer indicação em tela de que a corrida já estava valendo a partir dali. Começa aqui o desrespeito, que vai nortear a visão sobre tudo que aconteceu: nós todos, no fim das contas, somos consumidores de informação. Nós acompanhamos corrida pela TV, pelo streaming da própria F1, pelas redes sociais, por rádio, por fumaça e por respiro. Quanto mais claras as coisas, melhor. Temos exemplos evidentes em esportes como NBA e NFL, em que os árbitros anunciam claramente quais são as decisões tomadas, e, em menor escala, o VAR quando corretamente usado em ligas de futebol da Europa. Assim, acompanhar todo aquele desenrolar de fatos sem ter uma posição oficial por duas horas do que estava por vir é inadmissível para uma categoria que cresceu, sim, por sua mudança na forma de se comunicar.

As únicas informações que vinham eram pílulas sobre updates. “Próxima informação daqui 10 minutos”, e a próxima informação era uma “próxima informação daqui 5 minutos”, que vinha na sequência de outra sem nenhuma relevância. Pergunto: pra quê? Pra que estas informações completamente engana-trouxas vieram sendo que, no fim das contas, estava claro que não haveria corrida e que a decisão de Michael Masi era simplesmente colocar os carros na pista para fazer a corrida valer e constar metade dos pontos?

A F1 tem lá sua transmissão própria/Sky Sports. Por que, então, não foram lá na salinha do glorioso para perguntar a ele? Por que não puseram a arte do rádio na tela com uma conversa com o venerável perguntando: ô, cidadão, e aí, que você tá pensando sobre a corrida, a vida, o universo e tudo mais? Vamos esperar até quando? Quais os procedimentos? Tem chance de adiar para amanhã? Tem chance de cancelar e não valer nada? Você vai acompanhar na semana que vem a estreia lá do Domingão com o apresentador que faz assistencialismo barato?

Porque aí, quando se chega às 17h e aparece a mensagem de que foram completadas 2 horas de ‘corrida’ e que o cronômetro será paralisado para que se tenha pelo menos 1 hora de ‘corrida’, ninguém entende nada. Ué, como assim já tivemos 2 horas de corrida sendo que só às 15h25 locais os carros de fato saíram do grid para dar uma volta? Por que o cronômetro não foi paralisado antes?

E, então, se dá a ceninha teatral: 60 minutos na tela em regressiva, mensagem de que a corrida vai começar em 10 minutos, boxes liberados, o safety-car comanda a patuleia, dão duas voltas e retornam aos boxes. Aí Vettel e Mazepin pegam a bola para jogar, na Alpine voltam a embaralhar as cartas para retomar a biriba, os comissários jogam aquelas três bolas pratas na brita – falaram que é uma tal petanca, que ainda preciso descobrir do que se trata; pra mim, é uma bocha diferente –, e fim. Fim? Assim mesmo, na caruda?

O teatro é tamanho do tal Masi que nem as equipes foram comunicadas dele. Tanto é que a Aston Martin trocou a asa do carro de Stroll e a Red Bull trabalhou feito louca para arrumar o carro de Pérez. Porque ambas achavam que, sim, haveria uma corrida. E o bonito não falou nada.

Aliás, a permissão para que Pérez pudesse voltar é uma afronta ao regulamento esportivo que diz, claramente, que um carro que não vai ao grid por seus próprios meios não tem permissão para largar. A Red Bull consultou o consagrado, que não sabia a regra com a devida certeza, repassou o caso aos comissários, que, estranhamente, deram o aval.

Tudo isso, então, contribui para a patacoada que acompanhamos minuto a minuto. Muitos pilotos, como Hamilton, Alonso e Vettel, posicionaram-se contra a distribuição de pontos aos dez primeiros e àquela ‘farsa’. Lewis, por exemplo, falou em devolução do dinheiro e tudo mais. Clichês à parte, há algum fundamento – e Stefano Domenicali, presidente e diretor-executivo da F1, já se apressou em dizer que está pensando de fato em alguma recompensa.

Ross Brawn bradou contra o regulamento. E é ele, no fim das contas, que é falho. Como no ano da graça de 2021 não há no extenso regulamento esportivo da maior categoria do esporte a motor uma descrição de fatos que deve ser obedecida em caso de chuva numa corrida? Como é que ninguém assiste a Indy ou Nascar naquela pemba? Como é que ninguém ali entende sobre procedimentos de logística que possam permitir, por exemplo, uma corrida em uma segunda-feira? Neste caso específico, haveria condições de se mudar o protocolo para que acontecesse hoje, já que a Holanda, a próxima corrida no fim de semana, é do lado da Bélgica. Aí teve toda esta lambança do queridão lá da direção de prova, e deu no que deu.

O mundo da F1 não consegue ter o traquejo e a malemolência para resolver situações que, agora sim, parecem do passado. Ainda mais com uma questão que não é propriamente inédita. Porque, ao fim e ao cabo, o regulamento que é falho foi usado à risca por uma pessoa protocolar e insípida para tomar a decisão correta da pior maneira possível com a consequência mais falha: dar metade dos pontos.

O GP da Bélgica que não existiu não poderia dar pontos a ninguém, o que significa que não deveria premiar ninguém e não ter feito ninguém subir no pódio. Um jogo no Alfredo Jaconi entre Juventude e São Paulo que é paralisado pela neblina em Caxias do Sul não é dado como encerrado com empate em 0 a 0 e 1 ponto para cada lado. Não se pode haver uma farsa como aquela de dar 3 mentirosas voltas, o resultado final só apontar 1, e Verstappen sair com 12,5, Russell levar 9, Hamilton, 7,5, e por aí vai, como se houvesse de fato uma corrida.

Bom que todos estão salvos e não aconteceu nada? Evidente. Ao menos isso. Mas a falta de consideração está em todos estes fatos. Hão de dizer que não queriam ser desrespeitosos, e tal. Pode até ser; muitas vezes a gente não quer ser desrespeitoso com ninguém, acaba sendo e só depois se percebe – ou fazem perceber, dada a grita. Mas foram. Foram como o cara que faz assistencialismo barato pela TV e, a bem da verdade, expõe e humilha as pessoas em troca de audiência e ego, mas não se toca disso. Ou não quer se tocar.

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Retrospectiva F1 2021

O GRANDE PRÊMIO aproveita as férias da F1 – só delas – para resgatar o que foi a primeira parte desta intensa temporada.

Tanto no site quanto no canal principal do YouTube – sim, porque há dois; inscreva-se no GP 2 aqui – há uma série de 10 vídeos contando o que aconteceu com cada uma das equipes.

Seguem aqui, atualizadas, as belas obras:

Mercedes

AlphaTauri

Ferrari

Alfa Romeo

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Sobre Hamilton x Verstappen na Inglaterra

MAX VERSTAPPEN; ACIDENTE; GP DA INGLATERRA; LEWIS HAMILTON;

Às vezes é bom deixar passar um tempo para sorver tudo que se passou diante de um grande momento que há de abrir um importantíssimo capítulo na F1.

O início da rivalidade propriamente dita entre Lewis Hamilton e Max Verstappen é algo que se esperava desde os primeiros momentos deste campeonato em que a pré-temporada já indicava uma Red Bull plenamente capaz de fazer frente à Mercedes. Nas primeiras corridas, houve uma série de situações que preparavam o público para tal: a ultrapassagem de Verstappen sobre Hamilton no Bahrein, o mesmo movimento na largada da Emília-Romanha, o chega-pra-lá na primeira curva do GP da Espanha, o toma-lá-dá-cá em Portugal. Desde então, a Red Bull deu um salto que não mais permitiu um embate apropriado entre ambos, vencendo tudo o que podia.   

Mas o novo formato do fim de semana e o caráter de match-point do GP da Inglaterra são pontos determinantes para que o pavio tivesse sido aceso neste domingo.

A novidade do Sprint Qualifying – SQ, para os mais chegados – foi o primeiro sinal de que as coisas culminariam naquela primeira volta da corrida principal. Hamilton era o pole de fato, perdeu a primeira posição para Verstappen já antes do contorno da primeira curva e, nas curvas seguintes, tentou a ultrapassagem. Pegou o vácuo assim que entrou na reta onde se largava originalmente em Silverstone e efetuou o mesmo movimento. Lewis preferiu recuar porque ali tinha muito a perder: ninguém queria um carro quebrado para dar problemas aos mecânicos em pleno sábado ou, como Pérez, ter de tentar fazer uma corrida de recuperação no dia seguinte para colher pontos em migalhas.

O SQ mostrou que estar em primeiro na primeira volta era imprescindível para o resultado da corrida. Hamilton precisava daquilo para vencer e evitar que o campeonato fosse para as mãos de Verstappen.

Para a turba anônima e apócrifa que logo brota tirando conclusões precipitadas, não há nada até aqui – e daqui em diante, diga-se – que faça qualquer ilação de que Hamilton e a Mercedes tramaram qualquer coisa. Até porque simplesmente não é do feitio nem de Toto Wolff nem de Hamilton pensar em algo do tipo. Silverstone não é Singapura.

Vieram as cinco luzes apagadas no domingo. Hamilton não conseguiu passar Verstappen na largada da corrida principal, mas fez dura competição nos metros iniciais. Na reta Wellington, a primeira que vem na sequência, os carros se emparelharam a ponto de não haver um vácuo lateral. Verstappen se manteve à frente, mas Hamilton conseguiu fazer as tangências das curvas Brooklands, Luffield e Woodcote melhor a ponto de se ver na mesma situação do dia anterior.

Hamilton veio com muito mais velocidade, pegou o vácuo de Verstappen e jogou o carro à direita. Os carros ficaram novamente lado a lado. A curva Copse vinha se aproximando. Max freou um pouco mais tarde do que Lewis e lhe deu uma pequena vantagem. Os dois fizeram a curva em alta velocidade. Deu-se o acidente – que, como qualquer outro ali naquela região do circuito, provocou tal impacto.

Aqui, minha visão: há uma análise fria de quem observa os fatos sem considerar que ali os pilotos se aproximam de 300 km/h e qualquer decisão dura provavelmente menos de 1 s. Não há como não avaliar o caso sem pensar que nenhum dos dois ali tiraria o pé ou teria condição para tal. Porque na cabeça de Verstappen, ele contornaria a curva em primeiro; na cabeça de Hamilton, ele contornaria a curva em primeiro. Max tinha a tangência ideal, com aquele pedaço de carro à frente, e Lewis estava por dentro. O holandês fez a curva como se não houvesse ninguém ali ao seu lado e o inglês fez a curva sem ter reação para evitar o choque.

Casos similares no passado não levaram a punição alguma. Mas ali eram Verstappen e Hamilton.

Entendo que a forma como Verstappen se acidentou, descendo do carro zonzo e sem fôlego, contribuiu decisivamente para a punição de 10 s aplicada pela FIA. A ela também se soma uma certa prudência em tom de aviso: os comissários estão de olho que agora se trata de uma briga deflagrada e precisam colocar um certo limite. E também aqui é importante observar o fato consciente do que foram falar Red Bull e Mercedes à entidade, com a pressão de um lado e a condescendência, por e-mail, de outro.

Verstappen já estava ali derrotado e sem condições de se recuperar. Hamilton estava na pista. A bandeira vermelha acabou lhe sendo providencial porque provavelmente o carro teria avarias que lhe jogariam para uma posição além-Pérez. A Mercedes pode arrumar o #44.

Assim, o máximo que consigo ver de culpa em Verstappen é não ter dado espaço suficiente para que os dois carros pudessem contornar a curva – ele o deu plenamente na disputa. É que, se ele o faz, como Charles Leclerc fez mais tarde, fatalmente perderia a posição porque não teria a tangência correta e escaparia para a área extrapista. Mas, ressalte-se: culpa é um termo muito pesado para alguém que estava ali simplesmente correndo e lutando por uma posição.  

Da mesma forma, o máximo que consigo ver de culpa em Hamilton foi não ter pensado que Verstappen não tiraria o pé. Se as posições fossem inversas, tenho impressão que o choque ocorreria da mesma forma, e Lewis seria o prejudicado. E, da mesma forma, Toto Wolff estaria chamando Verstappen de desrespeitoso, pedindo o banimento por uma corrida daquele moleque, enquanto Christian Horner e Helmut Marko dariam risada, falariam que Hamilton foi para o tudo ou nada e simplesmente levantariam a plaquinha de ‘segue o jogo’.

Alegar que a Copse não é lugar de ultrapassagem, como a Red Bull o fez, provou-se tosco ao longo da corrida: foi justamente lá que o afrontoso Hamilton passou Lando Norris e Leclerc. Logo imaginei a Indy dando bandeira amarela nos 4 curvões de Indianápolis impedindo que um piloto passe outro por ali…

Sigo com a opinião de que foi um incidente de corrida. De que Hamilton e Verstappen, racers em estado puro, agora se conhecem melhor e a pleno. De que a batalha entre os dois será deliciosa de se acompanhar. E que os personagens que estão ao seu redor – nas equipes; namorada não conta – são ideais para dar o tempero especial no restante da temporada 2021 e, tomara, na virada da nova era da F1 com este carro mais simples.

A vitória de Hamilton é o ‘it’s coming home’ que os britânicos não viram na semana anterior na final da Eurocopa, salva o campeonato e dá a ele um outro tom. Porque, duvido, nem Red Bull nem Mercedes, diante do que aconteceu, vão poupar esforços em aprimorar os carros deste ano para ficar com o título. E isso conta o Mundial de Construtores, porque aquele Pérez que venceu no Azerbaijão desapareceu e o Bottas que está vendo a porta da rua aberta tem entregado os resultados que se espera dele.

A F1 precisava destes bicudos que representam o melhor que a categoria pode ter nos últimos tempos. A briga vai tirar deles aqueles 110%. E Hamilton, que trabalha bem a parte mental, sabe que ao menos as três próximas corridas serão na casa do adversário, com o mar laranja invadindo Hungria, Bélgica e, claro, Holanda.

***

Não é um fenômeno particularmente novo, aliás, atestar a defesa quase figadal de um ou outro lado em uma disputa que envolve dois oponentes do calibre de Hamilton e Verstappen. Da mesma forma, não chega a espantar que, em tempos coléricos, as argumentações rasas que se iniciam no demérito insano do inimigo deem lugar rapidamente a ofensas e xingamentos – que esbarram na criminalidade – em meio ao apoio do ídolo.

O que chama atenção neste ambiente é o surgimento de uma forte e feroz torcida adolescente. Considero relevante e importante a formação de um novo grupo de espectadores e consumidores do produto Fórmula 1, seja pela via dos games/esports, seja pela geração ‘Drive to Survive’, mas este grupo de jovens não aprende nos videojogos e nas produções cinematográficas o que é na prática uma competição de carros ou a história dos grandes que nos trouxe até este momento.

Torcem para Verstappen, Leclerc, Lando Norris ou George Russell, mas agem como Yuki Tsunoda com boca-suja sem propósito ou sem conhecimento de causa. Acabam evidenciando, com suas emoções afloradas, uma falta de noções básicas de respeito em meio a certa infantilidade.

Infantilidade que é não é vista apenas nos jovens: tem marmanjo que, olha…

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Vai descendo até o chão

Max Verstappen vence na Áustria: a Mercedes sofre muito (Foto: AFP)

A sequência de cinco corridas entre Mônaco e Áustria representam a maior derrota que a Mercedes vivenciou em seu retorno à Fórmula 1, mais especificamente na era híbrida. Não fosse o pneu estourado de Max Verstappen a poucas voltas do fim do GP do Azerbaijão, Max Verstappen teria engatado uma sequência devastadora e imbatível. Mesmo com quatro, é visível o climão de derrota que paira sobre a garagem de Toto Wolff e de Lewis Hamilton.

O que doeu, de fato, foi a bifa na França. Foi ali que as escrituras se abriram profeticamente quando Horner, 7, 11-33, disse: “Se vencermos aqui, vencemos em qualquer lugar”. A ultrapassagem de Verstappen, a dois giros da bandeira quadriculada, em um Hamilton chocho, capenga, manco, anêmico, frágil e inconsistente, diante de uma estratégia ousada, abalaram ainda mais as estruturas de uma Mercedes que já vinha sendo afetada desde o episódio do assédio aos funcionários que vão se debandar para a rival no ano que vem, trabalhando na Powertrains, a área que a Red Bull constrói a toque de caixa para cuidar dos motores que a Honda há de lhe passar.

Em particular, a vitória no GP da Áustria deste domingo, embora esperada, é particularmente assustadora. Não fosse a patifaria da FIA com aquela punição antiespetáculo e o advento artificial da asa móvel (DRS), Lando Norris teria conquistado a segunda colocação da corrida com uma McLaren que, nestas bases, vai dar muito trabalho na virada do ano com o regulamento novo da F1. Hamilton teve de se contentar com um quarto lugar e a ordem histórica de ter de abrir caminho para Valtteri Bottas, companheiro que defende, mas que está por fazer sua última temporada na equipe.

Falando em Bottas, um jornalista da revista alemã Auto Motor und Sport e o site inglês RaceFans também apontam a informação antecipada por Fernando Silva de que o destino do finlandês pode ser a Alfa Romeo.

A Mercedes alega que Hamilton teve um problema no carro a partir da volta 29 com um dano no assoalho do carro. O dano, na verdade, é muito maior. O carro em si não corresponde. É o menos bem feito da safra que a equipe fez desde que começou a dominar a F1.

O problema é que a Mercedes tenta minimizar seus problemas atribuindo à Red Bull ganhos de performance que, na visão dela, estão fora do regulamento. Começou com a asa traseira flexível, depois passou para o motor Honda, aí viu problema na rapidez dos pit-stops feitos a menos de 2 segundos. O negócio anda tão fora do prumo que Wolff foi desmentido por seu diretor-técnico: haverá, sim, uma atualização forte para o próximo GP, o da Inglaterra.

Que vira, então, uma espécie de final antecipada: depois de duas corridas na casa da Red Bull, o cenário é todo pró-Hamilton. Em um Silverstone provavelmente tomado de gente, um perigo em tempos de profusão da variante delta do coronavírus, ou o heptacampeão faz valer seu amplo domínio para salvar o campeonato ou, em caso de novo triunfo de Verstappen, aceita para que doa menos e vira a chavinha para o ano que vem.

Nos últimos dois meses, a Mercedes, como diria o poeta Pedrinho, foi descendo até o chão, mas sem mostrar a potência de seu popozão. O astuto DJ Perera, de lirismo notório, tem a solução para Hamilton e Toto se a vitória não vier na Inglaterra: “Então chapa. Bebe todas, enche a cara…”

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“Such a great driver, Lando”. A frase de Hamilton depois de ultrapassar o piloto da McLaren, vai ecoar por muito tempo. Quando viu a cena, Norris se emocionou: “Te amo, Lewis”.

Se Hamilton pudesse, de fato, apitar na decisão de quem seria seu companheiro ideal, não há muitas dúvidas de qual dos jovens ingleses escolheria.

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Russell, aliás, fez provavelmente sua melhor corrida pela Williams. Mas, largando de oitavo, logo despencou para 12°. George é excelente aos sábados, mas, em grande parte das vezes, dá um jeito de contribuir para seu mau resultado aos domingos. Ao menos, recebeu um caloroso abraço de Alonso após o GP da Áustria depois que perdeu a chance de pontuar.

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Alonso, aos poucos, vai se reencontrando. O problema para a Alpine é que o caminho iluminado do espanhol é a treva para Esteban Ocon.

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Muitas pessoas me param nas ruas e me perguntam, de máscara, levemente aflitas: “Victor, o que Räikkönen ainda faz na F1?”. Eu penso, penso e respondo: “´É, não sei…”

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Termino aqui antes que seja punido pela FIA. Vou ouvir Pedrinho e DJ Perera.

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O muro em que não se bate

Talvez seja o texto mais desnecessário que saia desta lavra da qual não sai texto há algum tempo. Porque é tomar tempo das gentes quando o tempo tem sido escasso e vem em contagem regressiva para muitos.

Olho à direita – ainda sem contexto ideológico – e na TV vejo o desenrolar de uma CPI que ouve o presidente Latam de uma empresa farmacêutica. O dirigente, dentre outras coisas, garantiu que ofereceu milhões de vacinas ao Brasil num período de explosão de casos positivos para coronavírus ainda em 2020. Fosse um país minimamente civilizado e dentro da normalidade, o fascista presidente estaria enjaulado, seus vários asseclas idem, e já estaria em curso um julgamento por crimes contra a humanidade. Os experimentos humanos que foram feitos em Manaus são uma das provas infinitas para tal. Mas neste momento, o genocida está em Alagoas promovendo uma aglomeração para vociferar contra o relator da CPI, representante daquele estado.

Um dos motivos pelos quais esta administração atual é persistentemente contra a educação é porque povo com pouca cultura e capacidade de raciocínio é mais fácil de alienar e de tratar como gado – já com contexto ideológico. É porque conhecimento histórico e social do que somos hoje atrapalha nos planos de implementação do que justamente esta administração quer.

Não tem muito tempo que o BBB, um programa de fácil alcance nacional, trouxe questões profundas sobre racismo e injúria racial. O participante que cometeu o ato defendeu-se na base do desconhecimento do tema, definindo-se como chucro. Cantor e de vida ganha, o participante do programa tem pleno acesso à internet e pode, se quiser, inteirar-se por completo sobre o tema. Dias depois, o pai do glorioso preferiu usar usas redes sociais para ofender o colega do programa, alvo da injúria, que seria em breve eliminado. O filho curtiu a postagem. Curtir é endosso, neste caso. Injúria racial e racismo são crimes.

O microcosmo do automobilismo e de grande parte dos esportes brasileiros apresenta perfis muito similares à qualidade de vida do participante do Big Brother. Geralmente são pessoas que abandonaram os estudos na vida infantil para se dedicarem à prática, abrindo mão da cultura necessária para a formação ética, moral e intelectual. Assim, têm pouco conhecimento sobre black power, provavelmente nem se lembram da Princesa Isabel e só devem ter tido contato com a luta dos pretos nas recentes mortes nos EUA – e, no caso do automobilismo, pela campanha liderada por Lewis Hamilton.

Corto a bola, a direita, fora se não tem atleta que tenha achado o que aconteceu no BBB mimimi de quem sofreu o ato e se não tem piloto aqui que desdenhe do posicionamento de Hamilton. Quantos deles ajoelhariam para representar a campanha? Quantos deles sabem o significado de ajoelhar?

Saber, nos dias de hoje, está na palma das mãos. A mão que posta story, fotinho e vídeo e elenca hashtag é a mesma que pode buscar conteúdo válido e necessário para compreensão do momento que vivemos.

A vida de quem está no Brasil é o cronômetro que aparece no canto superior esquerdo da tela. Em vez do safety-car, tem medical-car. Tem muitos. Tem vários. São insuficientes para atender os vários acidentes. Resultam na bandeira vermelha – sem contexto ideológico – que levam à bandeira quadriculada. A paralisação leva ao fim. O fim. Não tem champanhe. Tem pódio: o país figura entre os três onde mais se morre por Covid-19.

Há evidências diversas do descaso na compra de vacinas, absolutamente primordiais para evitar que, na ponta final, o número de óbitos chegasse, oficialmente, a 430 mil pessoas – e contando. Se há neste ponto alguém antivacina, a resposta para isso, além da burrice embutida, é que ninguém estaria vivo até hoje se não tivesse tomado vacina quando criança. O desespero é tamanho que governadores e prefeitos tentam negociar com os fornecedores contratos que deveriam ser assinados pelo presidente. Logo – e espero ter sido claro já neste ponto –, a ausência dos produtos vitais são de completa (in)competência do presidente. No Reino Unido, por exemplo, já não há mais mortes; nos EUA, estados já liberaram vida social sem máscaras. Em ambos os países, houve uma maciça campanha pela vacina – no caso do último, claro, na gestão atual.

Tudo isso porque é projeto notório que, enquanto se come picanha, se deseja à morte do povo. Um pouco de conhecimento da história recente faria uma óbvia correlação deste presidente com Hitler e Mussolini e com outros tantos ditadores que só são vomitados aqui e ali quando se referem a Cuba e Venezuela. Quando aqui e em outros lugares se fala de genocídio, fascismo, nazismo e afins, trata-se disso: da tentativa em dizimar os nossos. Os nossos, em grande quantidade, têm classe social bastante clara: os pobres. Também aqui é compreensível encontrar uma correlação entre pilotos e demais atletas que estão bem de vida: eles não pertencem a este mundo e pouco se importam. Mas como não sabe contar dinheiro e não sabe virar à esquerda ou à direita, o vírus vai fazendo a rapa.

Que fique mais claro, pois: Bolsonaro e seu grupo têm um plano para matar. Assim foi com todos os nossos mais próximos: com a Ana Lúcia e com o Pedro, pai e mãe de minha amiga Débora; com o Boghos, pai do meu amigo Rodrigo; com Paulo Gustavo, Nicette Bruno e tantas outras personalidades da mídia; como tentou comigo, com meus pais, com meus amigos Juliana e Marcos; e também com o Berton e o Bruno – duas vezes –, meus amigos e colegas de Grande Prêmio. Sobreviver no Brasil, hoje, é resistir na base da sorte. Este hoje pode não ser amanhã.

Hoje, é evidente – como já era em 2016, diga-se, mas a pandemia entregou sem miopia – que estar ao lado de Bolsonaro é compactuar com o que é e pensa (?). Isso é algo muito acima de se posicionar à esquerda – que a classe pouco pensante resume a Lula e ao PT – e à direita. Na verdade, é algo muito à direita. É extrema-direita. O ditado alemão que fala sobre 10 pessoas reunidas à mesa e que ficam ali quando um nazista se chega, somando 11 nazistas, é completamente aplicável a Bolsonaro: qualquer um que defenda e se alie a este sujeito se equivale a ele.

Já havia sido com Emerson Fittipaldi e, agora, viu-se com Nelson Piquet. Como já tinha Giba e grande parte da patota do vôlei – que viveu às custas de dinheiro estatal. Piquet se prestou a aparecer com Bolsonaro na inauguração de uma ponte em Rondônia. Não há qualquer evidência de que tenha sido forçado a isso. E a partir do momento em que se presta a isso, adentra o submundo de quem resolve borrar sua história. Porque acima do esportista e do ídolo, está o cidadão e o humano. Tal qual o vírus, isso vale para todos: tricampeão, bicampeão, campeão, quase-campeão, não-campeão. Se você não ganhou nada relevante na vida, mas não defende quem está no poder, considere-se com um título; do contrário, você é um nada relevante.

Então, respeitosamente e com um português de acesso universal para chucros, caguei para o número de campeonatos conquistados e caguei para quem acha um acinte quando o Grande Prêmio ou seus jornalistas e demais membros se posicionem criticando quem quer que seja do meio do automobilismo. Nenhum de nós têm culpa do desprezo, sobretudo intelectual, que se tem aplicado desde a infância a questões muito mais relevantes que corridas de carros e motos. Milhares de seguidores perdidos, numa linguagem de internet universal, são, na verdade, limpeza social. Não são porra nenhuma perto do quanto já se perdeu de vidas. E não, não, não mesmo, aconteceria qualquer crítica se qualquer piloto aparecesse ao lado de FHC, Sarney, Alckmin ou Doria, porque, por mais que se tenha diferenças básicas com a conduta político-econômico-social, nenhum deles se oporia à compra de vacina e teria algum cuidado para que esta pandemia não representasse a dizimação de parte do nosso povo.

Prestes a virar 23 que parecem, na teoria, 40, poderia ter algo melhor a postar, mas lamentavelmente é o que se tem de necessário para hoje. Hoje somos um povo que não mais sabe do presente e do futuro. Mas eu, pessoa física, e o GP, jurídica, sabemos bem quem são os outros, com quem devemos andar – sem aglomerar –, quem devemos admirar – ídolo é Alex Zanardi, que transcende o ser-humano – e quais as bandeiras que devemos defender – descubra se tem contexto ideológico. Não sei se haverá 24 – ou 41 anos. Meus pais terão algo a mais, vacinados que estão. Mas quem está à deriva fica na angústia e lamenta – e xinga e deseja o pior e tem naturais instintos primitivos de raiva e de combate. Há um muro e lados bem claros.

Não adianta bater nele para manipular o curso das coisas, tentar vencer e dizer que foi levado a isso. O muro sempre vai existir para quem quis se posicionar do lado errado e aceitar o posto de escada de genocida. Nós é que vamos bater.

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Sobre Tuka Rocha, erro e lição

Hoje, passadas 10 da manhã, havia recebido a informação de fonte que tinha ligação com quem estava no hospital na Bahia de que Tuka Rocha havia morrido. Como sempre fazemos neste caso, esperamos a confirmação. Pedi que Vitor Fazio já deixasse preparadas duas notícias, uma da morte em si e outra do vida e obra. Desde então, entrei em contato quatro vezes com a assessora de Tuka, Glauce Schütz, que me informou a respeito de uma nova cirurgia para limpeza de pernas e tórax e da necessidade de acompanhamento pelos próximos cinco dias, e que a situação era complexa.

Voltei à fonte da informação, que tornou a confirmar que já estavam sabendo da notícia. Tornei à Glauce, dizendo que tinha essa informação. Sua reação foi de surpresa, e ela só me falou que estava torcendo para que não fosse verdade. Seguimos aguardando a confirmação.

Veio o treino livre. Acompanhei pela transmissão do SporTV. No fim, o narrador Sergio Maurício disse que tinha recebido a informação da morte de Tuka. Fui conferir se tinha ouvido corretamente e vi que nas redes sociais começou a borbulhar a informação. Naquele momento, havia entendido que ele estava lendo uma nota – só depois fui saber que a fonte era Luciano Burti. Na mesma hora, pedi que fosse publicado o que tínhamos no site. Na sequência, chamei Glauce novamente, que não me respondeu. Deduzi que ela não estava disponível por conta da notícia.

Logo comecei a receber informações que desmentiam a informação – que, sobretudo, a família garantia que Tuka estava vivo. Não recebi qualquer confirmação de uma junta médica, em primeiro, ou dos familiares. Foi assim que fizemos, por exemplo, quando Niki Lauda morreu. Naquela noite, quando todos já tinham dado a notícia citando uma agência austríaca, optamos, com correção, por apurar melhor. Levou uma hora, mas a condução foi a ideal. Aliás, todas as vezes que fizemos uma cobertura de morte no Grande Prêmio foram impecáveis neste sentido.

A sequência dos fatos comprovam que eu não agi em conformidade com nossa conduta de sempre. Errei bastante.

Quando todos discutíamos sobre tirar as notas do ar ou não, conversei com Evelyn Guimarães como faríamos. Escrevi, então, a nota de retificação assinando e assumindo a culpa enquanto deixávamos as notas publicadas no rascunho.

Passada a pendenga, chamei a Glauce para lhe pedir desculpas. É um desrespeito, acima de tudo, com os envolvidos e com a família. Pedi a ela que transmitisse este recado a todos lá – ainda que fosse realmente o menor dos problemas para a barra que estão vivendo. Agora peço desculpas a todos, já que é nosso nome que está envolvido como um todo, e agradeço pelo apoio de sempre. Por mais que se saiba como agir, é uma lição que se põe como dogma para nunca mais errar. Não vai mais acontecer.

E-mail que mandei ao time do GRANDE PRÊMIO e aos parceiros de conteúdo

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Sobre Petrobras e McLaren

McLaren e Petrobras: acordo segue em vigor por enquanto

O governo do atual regime brasileiro usou as redes sociais nos últimos dias para insistir, novamente, que fez a Petrobras quebrar o atual acordo com a McLaren, alegando valores irreais para tal — R$ 782 milhões por cinco anos.

A situação: a área de patrocínio da petrolífera brasileira foi desmontada e apenas uma pessoa que participou da negociação com a equipe inglesa foi mantida. Quem queria quebrar o acordo acreditava que era bastante simples, mas “quebrou a cara”, segundo fonte familiar ao caso. A McLaren endureceu o jogo, e as negociações seguem. Há uma multa pesada para rompimentos desta natureza.

Dentro deste impasse, a Petrobras mal conseguiu desenvolver gasolina para uso nos carros de Sainz e Norris.

O GRANDE PRÊMIO informou em maio deste ano que o valor do acordo, válido por seis anos, é de £60 milhões, à época representando 40% do valor mal informado pelo presidente.

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O Mundial das corridas que valem

[bannergoogle]SÃO PAULO | Se a Fórmula 1 fosse só esta ‘linda’ das últimas três corridas, a classificação do campeonato seria a seguinte:

1) Verstappen, 62
2) Hamilton, 38
3) Bottas, 33
3) Leclerc, 33 (empatado rigorosamente com Bottas)
5) Vettel, 30
6) Sainz, 22
7) Gasly, 18
8) Kvyat, 17
9) Stroll, 12
10) Albon, 8
10) Norris, 8 (empatado rigorosamente com Albon)
12) Ricciardo, 6
12) Grosjean, 6
14) Räikkönen, 6
15) Magnussen, 4
16) Giovinazzi, 1
16) Hülkenberg, 1
16) Kubica, 1

Não fossem os 2 pontos que Hamilton ganhou na maciota pela desclassificação das Alfa Romeo na Alemanha, Verstappen teria uma corrida de vantagem (25 + eventual 1 ponto pela melhor volta).

Bottas, Leclerc e Vettel estarem no mesmo patamar: pega mal para o finlandês.

Sainz à frente e Kvyat 1 ponto atrás: Gasly tem de sair da Red Bull logo depois da Hungria. Não dá.

Hülkenberg ter a mesma pontuação de Kubica: também não dá. O alemão peida demais na farofa, como diria Evelyn Guimarães.

Só Pérez e Russell não pontuaram. O que também denota a temporada mediana do mexicano.

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Por que a F1 teve corridas tão boas

2019 German GP

[bannergoogle] SÃO PAULO | Há tempos que a F1 não tem uma sequência de três corridas tão intensas, que deixam os espectadores, em casa e no autódromo, satisfeitos e com o delicioso gosto de quero-mais. Há quem lembre que, mesmo em 2018, Áustria, Inglaterra e Alemanha também foram boas. OK, podem ter sido, mas nada se compara ao que aconteceu recentemente: a antítese da França.

E por que estes três últimos GPs foram assim? Levanto quatro pontos.

Pistas de verdade não têm áreas de escape convidativas, pintadas e indutivas ao erro (de pilotos e comissários). A trinca Red Bull Ring-Silverstone-Hockenheim têm seus pontos permissivos, mas penalizam o erro quando necessário. Em qualquer corrida de carros, o limite tem de ser encontrado, mas o além não pode ficar impune. Giovinazzi teve lá seu problema, ficou parado na brita; Vettel e Verstappen conseguiram escapar da prisão que as pedrinhas provocam, mas perderam tempo; com VHT ou não, aquela área de escape que leva à reta principal matou as corridas de Hülkenberg e Leclerc; o muro acabou com a de Bottas e, por muito pouco, com a de Hamilton. Além disso, são circuitos que permitem ultrapassagens – ainda que isso seja facilitado pelo tosco artifício do DRS.

O clima atuou decisivamente em duas das três provas, literalmente falando. O calor inesperado e excessivo na Áustria, batendo os 35ºC, sugou a força das Mercedes e permitiu que Ferrari e Red Bull se superassem. Culminou naquele fim de prova delicioso e a evidência da grandeza de Verstappen. Na Alemanha, o mesmo calor caminhava para acabar com a festa de 125 anos da Mercedes; daí a temperatura baixou no sábado, e lá estava Hamilton, doente, na pole; aí veio a chuva no domingo, e deu no que deu – a festa devidamente acabada da Mercedes. Naquela em que os termômetros estavam OK, a Mercedes venceu com sobras, mas o clima quente entre Verstappen e o mordido Leclerc apimentou a corrida.

Pode negar à vontade, ressaltar que é a mesma do começo do ano, mas a FIA aprendeu muito bem com o GP do Canadá. Precisou que Vettel fosse um bode expiatório, só que as corridas ganharam outra forma justamente nestas três citadas corridas. Em qualquer outro momento, o ato de Verstappen era passível de punição na Áustria; as disputas entre o holandês e o monegasco na Inglaterra receberiam pelo menos uma bela de uma olhada dos comissários, e nada aconteceu – Max, inclusive, retomou a posição sobre Charles por fora da pista. A evidência máxima disso, entretanto, foi a largada na Alemanha. O mundo já estava preparado para a paumolice do começo atrás do safety-car. Três voltas depois, eis que os pilotos alinharam nos colchetes e partiram. Surpreendente. Leclerc, ao sair dos boxes e quase acertar Grosjean – sempre ele – não tomou a mesma punição que Verstappen em Mônaco; deram uma multa de 5 mil merkels à Ferrari; Hamilton tomou só 5s por ter cortado o caminho dos boxes – um drive-through não seria exagerado; nada se aplicou ao incidente entre Albon e Gasly no fim da prova. A entidade está realmente mais condescendente e deixando rolar. Todos estão bem assim.

Por fim, os atores. Pegando pelos seis primeiros: 1) Hamilton: mediano na Áustria, ótimo na Inglaterra, horrível na Alemanha; 2) Bottas: mediano na Áustria, bom na Inglaterra, horrível na Alemanha; 3) Verstappen: excepcional na Áustria, bom na Inglaterra; ótimo na Alemanha; 4) Vettel: ótimo na Áustria, horrível na Inglaterra, bom na Alemanha; 5) Leclerc: ótimo na Áustria, excepcional na Inglaterra, ruim na Alemanha; 5) Gasly: horrível na Áustria, bom na Inglaterra; ruim na Alemanha. Verstappen manteve um certo nível e, também por isso, merece ser considerado o piloto da temporada. Os demais oscilaram muito. Não estamos vendo, pois, os protagonistas da ‘F1 A’ fazendo o que podem de melhor, o que tira aquele fator de marasmo e imprevisibilidade.

A Hungria vem aí. A pista é tradicional, tem lá suas britas, mas não é muito boa para ultrapassagens; a previsão do tempo indica temperaturas bem amenas; dois dos seis protagonistas vão correr sob risco intenso: Bottas e Gasly. A tendência é de que haja uma quebra na sequência, com uma Mercedes dominante. Mas se do resto pra trás for bom — a ‘F1 B’ tem apresentado disputas igualmente interessantes —, já terá deixado por completo o gosto amargo que foi acompanhar algumas das provas mais enfadonhas de 2019.

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