Mercedes slim e treta, sim!

W13 impacta pela ousadia e já faz Christian Horner reclamar e depois ser dissimulado. Pietro Fittipaldi, em último, ainda quer a F1...

A estreia da F1 2022 em tons oficiais deu-se nesta quinta-feira no Bahrein. Se não foi brilhante nos tempos, a Mercedes foi impactante com seu W13 modificado e com sidepods meramente obrigatórios por regulamento. Se pudesse, a equipe octacampeã não colocaria as entradas de ar laterais e faria um carro ainda mais ‘slim’ e compacto.

A partir daí surgiu a primeira treta com a Red Bull. Michael Schmidt, repórter da Auto Motor und Sport, perguntou a Christian Horner o que achava do carro da rival. O dirigente, segundo a revista, já veio com um papo de desmerecer e contestar a legalidade do W13. Tão logo a matéria foi publicada no site da AMuS, a Red Bull prestou-se a dizer que Horner não havia falado e que não falaria com ninguém sobre a Mercedes. Até os colegas de Schmidt estranharam. A Red Bull insistiu e disse que Horner não tinha dito nada. Mas o caso foi parar no ouvido de Toto Wolff, que já soltou: “Como é que ele sabe [se é ilegal] após ver o carro por meia hora?

Ross Brawn andou pelo paddock e garantiu: todos os carros estão dentro do regulamento. Mas certamente haverá muito debate ao longo dos próximos dias.

Também porque a Mercedes ousou demais. Os suportes dos retrovisores são basicamente asas. Há até uma foto que rondou a internet que aponta que a escuderia alemã pode usar um ‘tubarão’ no centro do halo. Horner há de descer das tamancas.

O novo regulamento surpreendeu a todos no fim das contas: muitas ideias diferentes foram criadas. Todos os dez carros são distintos entre si.

Na tabela de tempos, a Mercedes foi módica: nono com George Russell, 11º com Lewis Hamilton, que se queixou do mau acerto. O carro sai muito de frente, segundo o heptacampeão. No ano passado, também no Bahrein, o time sofreu e já dava a entender que seria um trabalho árduo de recuperação ao longo da temporada. A ousadia paga seu preço.

Pierre Gasly pôs a AlphaTauri na frente, mas tratou de minimizar o resultado dizendo que o dia foi para solucionar problemas. Seu tempo foi feito com os C5, os mais macios dos pneus. Depois vieram as Ferrari de Carlos Sainz e Charles Leclerc. Se tivesse de fazer uma aposta ousada para esta temporada, seria nos carros #55 e #16. A linda e bem acabada F1-75 é resistente e confiável, além de rápida. Ao que parece, solucionou o problema do ‘porpoising’, o efeito que fazia o carro galopar nas retas. A AlphaTauri, aliás, precisa resolver isso.

A Aston Martin apareceu em quarto com Lance Stroll e em oitavo com Sebastian Vettel. É ali onde tem ficado. Talvez seja a maior das incógnitas da temporada. É o carro com as linhas mais bem rabiscadas, mas ninguém anda dando a confiança necessária. Surpresa, mesmo, é ver a Williams andando bem novamente, com Alexander Albon em quinto. O curvilíneo FW44 não há de ser o pior deste ano.

A Red Bull teve Sergio Pérez na pista. Foi décimo, com o ótimo adendo de ter encerrado prematuramente o dia de treinos ao ter rodado em pleno regime de safety-car virtual e parado num dos únicos trechos com brita da pista.

Por fim, Pietro Fittipaldi foi o último. Andou com o carro ‘danês’ da Haas com muita carga de combustível. Disse o brasileiro, preterido por Kevin Magnussen: “Obviamente eu queria muito estar no grid em 2022 e sei que estou pronto para isso, mas respeito a decisão do time e seguirei trabalhando intensamente com a equipe dando o meu melhor”. Ao que tudo indica, Pietro vai insistir em ficar na F1. O que é uma pena. Mas cada um sabe o que faz de si.

Teve Briefing hoje no GRANDE PRÊMIO. Participei de alguns minutos até que a luz lamentavelmente acabasse. Ao que parece, houve um incêndio nas redondezas. Voltaremos à programação normal sexta e sábado.

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