Agora, Val?

Bottas tem jeito de ser um bom sujeito. Mas não adianta fazer a linha Barrichello e resmungar por anos

“Tudo que sei é que se não fosse um bom piloto de equipe, teria havido muito mais tensão no time. Isso significaria menos cooperação entre eu e Lewis. Significaria, a longo prazo, um desempenho não tão bom como equipe como tivemos agora”.

A declaração é de Valtteri Bottas ao Beyond The Grid, o podcast da F1. A reflexão vem neste momento em que se livrou das amarras da Mercedes e, provavelmente, chega em uma fase em que não vai mais brilhar no grid.

Há uma doce ilusão de muitos pilotos que, a bem da verdade, não nasceram para o estrelato. Bottas foi alçado a segundo piloto da Mercedes no momento em que Nico Rosberg picou a mula dias depois de ser campeão. Não era a opção inicial – era Nico Hülkenberg. Valtteri até tinha brilhado em seus tempos de Williams, sendo mais efetivo que Felipe Massa. Até se esperava algum incômodo a Lewis Hamilton.

Bottas preferiu ser o bom moço que o papel de coadjuvante ideal indica. Ser bom moço na F1 não rola. A não ser que se queira mesmo ser bom moço. Daniel Ricciardo um dia há de sair da categoria como um dos mais carismáticos. Que sorriso. Que homem. Que tudo. Talvez ser Mr. Simpatia seja sua intenção. Mas não vai ganhar taça.

Rosberg, sim. Fez de tudo para desestabilizar Hamilton. Independente de como largou o osso, Nico tem lá seu nome na história como o campeão de 2016. Isso lhe custou a amizade com Lewis. Na balança em que mede seus feitos, tenho impressão de que sai satisfeito.

Bottas tem jeito de ser um bom sujeito. Tem se destacado pelos vídeos que faz no TikTok, as piruetas e as dancinhas que dá com o bargeboard em evidência, até mesmo as declarações em si. Mas não adianta fazer a linha Rubens Barrichello, resmungar por anos, dizer que poderia ter sido outro se não fosse o contrato. Não resolveria falar que vai, sei lá, publicar um livro com os bastidores da Mercedes e os podres de Toto Wolff e cia.. Foi escolha dele ser o funcionário-padrão. E mesmo o sendo, em considerável parte do tempo em pista, sequer ajudou.

O negócio é olhar pra frente nestes tempos de Alfa Romeo e ser diferente de quem foi.

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