
Foi em 22 de outubro que o caso de adulteração dos pneus da Hankook por um processo de ‘vulcanização’ veio à tona oficialmente pela CBA. Em comunicado assinado pelo presidente da entidade, Giovanni Guerra, e pelo presidente do CTDN, Fabio Greco, a confederação revelava “a retenção de alguns poucos pneus” de “alguns carros [que] poderiam ter utilizado pneus de chuva quimicamente retrabalhados com o objetivo de obter melhor performance”, sem contar quem cometeu o pecado “para preservar pilotos e equipes envolvidos, evitando exposição prematura”.
Já era de conhecimento público que as equipes Crown Racing e TMG alteraram a composição dos compostos para ganhar mais aderência, primeiro aquecendo e depois resfriando em água, fazendo com que os pilotos Felipe Baptista, Felipe Massa, Rafael Suzuki e Enzo Elias pudessem andar muito mais rápido que os rivais. A descoberta se deu na etapa do Velopark, no Rio Grande do Sul, a oitava do campeonato 2024.
Os pneus foram enviados à sede da fornecedora coreana em Seul para uma investigação. Um laudo sairia até o dia 31 daquele mês. Ainda no comunicado, a CBA prometeu tomar “as atitudes cabíveis, incluindo aplicação de eventuais penalidades, caso o laudo do fabricante venha a corroborar as suspeitas” e que “até lá [dia 31], nenhuma informação por parte da CBA será divulgada”.
Outubro acabou e novembro chegou em meio ao GP de São Paulo de Fórmula 1. O silêncio sobre o caso foi providencial, ainda mais quando o GRANDE PRÊMIO noticiou a negociação de Gabriel Bortoleto com a Sauber Audi. Bortoleto é filho de Lincoln Oliveira, presidente e CEO da Vicar, a organizadora da Stock Car.
Só em 5 de novembro soube-se da comprovação da adulteração dos pneus – não por parte nem de CBA nem de Vicar/Stock Car. O que seria um caso evidente para eliminação do campeonato virou apenas uma punição relativa à etapa, com os quatro pilotos sendo desclassificados. A classificação do campeonato mudaria sensivelmente, sendo que o então líder Massa e o terceiro colocado Baptista perderiam posições na tabela, que passou a ter Gabriel Casagrande como líder.
Apenas 12 dias depois, em 17 de novembro, a categoria promoveu a alteração na classificação, informando apenas pelas redes sociais.
A Stock Car avançou algumas semanas até chegar a Goiânia. Na quinta-feira anterior à corrida, o STJD (Supremo Tribunal de Justiça Desportiva) reverteu as desclassificações dos quatro pilotos e devolveu o resultado da etapa do Velopark, o que recolocava Massa em primeiro. O fato teria uma implicação direta na aplicação do infame lastro do sucesso, já que o líder da competição tem obrigatoriamente de levar 30 kg no carro. Só que a decisão do STJD não foi aplicada em pista, e quem correu com o peso foi Casagrande.
Após a etapa goiana, Casagrande ainda era o ponteiro. Na terça, sem aviso prévio, a Stock Car mudou a classificação de novo validando os resultados do Velopark. Agora, Baptista é quem surgia na frente.
Tem uma final chegando no próximo fim de semana. Eis que entre os dias 10 e 11 deste dezembro, o Pleno do STJD devolveu à primeira instância o caso, ou seja, os pilotos Crown e TMG estão novamente desclassificados. Como capítulo delicioso de Várzea sobre Rodas, o campeonato está sub judice.
Importante ressaltar estes pontos igualmente deliciosos: no site da Stock Car, não há qualquer registro na área de ‘novidades’ – excêntrico nome para as notícias – em nenhum momento; no site da CBA, não houve qualquer nota sobre o caso após o comunicado de 22 de outubro. Parece que uma está jogando para a outra a responsabilidade.
Mas, na verdade, parece conveniente às duas instituições, deliciosamente, que o caso seja abafado. Seguem três informações que apontam este caminho.
O CTDN até insistiu e lutou para dar a seriedade evidente à história, mas consta que, após uma deliciosa solicitação não muito polida, foi desencorajado a seguir em frente pela própria CBA. E as consequências podem ser vistas em breve, talvez daqui alguns meses, no comando do conselho.
Como pode ser visto em breve se a CBA vai fechar patrocínio com uma vibrante empresa que patrocina um dos quatro pilotos envolvidos no caso…
Ali do outro lado, o de quem provocou isso tudo, há suspeitas de que uma das equipes envolvidas que tem ramificação em outras categorias chanceladas pela Vicar usa de práticas similares para ganhar vantagem em pista…