
SÃO PAULO | A definição de azar se aplica em sua plenitude ao que está acontecendo com Hamilton. Não é normal. Só que Lewis está indo além e dizendo que “tem alguma coisa além”. É tipo uma indireta de que está sendo escanteado ou que haja uma preferência para Rosberg.
É claro que Hamilton tem todo o direito de dizer o que bem entende, mas esse tipo de comentário é que fatalmente vai acabar fazendo com que olhem para o outro lado e vejam que o competente e calado companheiro merece mais. Ou senão vão chegar e puxar seu cabelo sarará e sua orelha ao mesmo tempo, chamando na chincha e pedindo para baixar a bola. E, de novo, tem a história psicológica: se ele realmente encasquetar seriamente com isso, o resultado em pista tende a entrar naquela descendente que vira e mexe ele encontra.
O espetáculo pirotécnico que a Mercedes #44 apresentou hoje comprometeu o chassi, e com isso Hamilton vai ter de largar dos pits. Do jeito que a zica tá forte, é até melhor evitar a primeira curva fechada e eventuais encontros na zona do rebosteio. Lewis haverá de dar outro espetáculo, o de sua habilidade, mas vai encontrar uma vida muito mais difícil que em Hockenheim. Hungaroring não é nada fácil. O que pode auxiliá-lo é a chuva, prevista para o domingo todo.
Como Rosberg não tem nada que ver com isso, fez o papel dele. E é uma pena mesmo que não tenha Hamilton para brigar com ele pela vitória, algo que não acontece desde o GP de Mônaco — onde não houve uma luta propriamente dita, mas os dois andaram bem próximos. Um novo passeio de Nico se desenha, e aí já fazemos aquela projeção do campeonato: seriam pelo menos 7 pontos a mais para o alemão, que iria para as férias/lua-de-mel para bimbar como coelho de tanta alegria.
Vettel pôs a Red Bull em segundo. Resultado até esperado: o carro da Red Bull é muito bom para circuitos como este, ainda mais nas mãos de um piloto como ele. E entre ele e seu companheiro Ricciardo tem ali Bottas. Que, convenhamos, está devidamente estabelecido como primeiro da Williams e piloto de ponta. Com três pódios na lomba e moral lá em cima, tira do carro o máximo. É ótimo, bem como Ricciardo.
Alonso foi quinto e vai fazer uma corrida normal para os padrões Ferrari d’hoje, ou seja, chegar nos pontos. E aí tem Massa, que não tomou só meio segundo do companheiro. “Ain, mas não é o assoalho?” Bom, que peça mágica é essa que Bottas usa que dá a ele mais vantagem que qualquer aparto aerodinâmico que se teste? Claro que não é o assoalho. “Ain, mas ele disse que pegou vários carros na volta final”. Bem, não foi só ele, creio, todo mundo estava na pista ao mesmo tempo. 0s9 é um caminhão que Felipe tem de engolir num momento em que seu parceiro se mostra muito melhor e eficiente. Massa disse à Evelyn Guimarães que vai correr sem pressão. Não creio que não a tenha se outro revés aparecer.
E a Ferrari com Räikkönen, hein? Deusolivre-guarde. Kimi disse que a equipe tem uma pane no sistema, meio que ouvindo a Pitty. E ele, que é meio desconfigurado por natureza, já demonstra estar de saco cheio. Bianchi, que foi quem o parou no Q1 é quem sorri duplamente, cêis sabem por quê.
Tendência para amanhã é que a briga pelos dois lugares no pódio restantes tenha seis pilotos: as duplas de Red Bull e Williams, Alonso e Hamilton vindo de trás como se não houvesse depois de amanhã. E com essa Mercedes que tá amplamente mais rápida que o resto, tem até mais chances que Massa.