F1 Grand Prix - Race" src="https://victor-martins.grandepremio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/141855646-1024x725.jpg" alt="" width="434" height="307" />SÃO PAULO | Esqueça aquela corrida de Vettel com a Toro Rosso. O cabra é ótimo, a gente sabe, ganhou de ponta a ponta, não deu chance, blá-blá-blá. Naquela, o negócio foi só esperar o alemão cruzar a linha de chegada em Monza. Hoje o negócio foi bem diferente lá em Sepang. Foi hoje que todo mundo torceu e se retorceu. Que a F1 poderia, sei lá, dar realmente uma graça pra quem gosta dela. Sem hipocrisia: era Pérez quem tinha que ganhar essa porra, vai. O que Ligeirinho fez não tá escrito. Que os tamagochis e pokemóns me perdoem, mas nem Kobayashi talvez conseguisse, mítico que é.
Pérez, Pérez… tão perto, tão perto, aí me vai aquele maldito engenheiro. Quero nomes. Eu quero nomes para reclamar lá no SAC do site da F1. O rapaz faz tudo certo, desconta diferença para Alonso na pista molhada, se vê uma volta a mais que o espanhol na pista seca, vê a diferença abrir de novo, galga, tira, encosta, cola, chega, e aí o babaca vem via rádio encher o saco do coitado, com a pica dura, e Pérez erra ali na tangência da curva, escapa, volta, broxa. Broxa todo mundo. Seis voltas para o fim, 5s perdidos, corrida perdida.
A corrida era de Pérez.
Havia um Alonso ali. Um Alonso tão bom quanto sempre foi numa Ferrari tão ruim que nem se lembra quanto tempo fora péssima assim. E era por isso que a corrida era de Pérez. Se não foi competente para confeccionar um carro, pelo menos os italianos souberam exatamente em que momento chamar seu piloto com a Lego Rossa para os boxes, após a paralisação da prova por aquele toró tropical em Sepang. A McLaren se atrapalhou nos boxes com Hamilton e Button se atrapalhou com uma HRT — quem nunca? Resultado: adeus McLaren da corrida. De novo, Hamilton foi terceiro, e foi ao pódio de novo com a cara de cloaca suja. Nem merece muito mais linhas e palavras.
Pérez, ah, Pérez, meu filho, que tu foi me errar ali? Alonso foi bem em um primeiro momento, e enquanto os pneus intermediários estavam úteis, até que a Chiliquenta abriu lá seus 6 ou 7 segundos para Speedy González. Repentinamente, o negócio mudou, a diferença caiu e caiu, até que chegasse o momento em que a pista se fizesse apta ao uso dos slicks — em ato protagonizado pela ida do também bom Ricciardo aos pits.
Nada habituada a ter estratégias para brigar pela vitória, a Sauber foi burra em não chamar Pérez para parar junto com Alonso. A distância entre ambos em uma volta tornou à casa dos 7 segundos. Mas Pérez estava tão bem que encaixou uma sequência de giros mais rápidos e, aos muitos, tornou a colar no rival. Era o “agora eu se consagro” de Milton Leite. Só que não. Porque o biltre, o vil, o filho da puta do engenheiro me vem com “ui, vamos garantir a posição”. Garantir a posição, o escambau, meu filho. Há de haver um belo brejo ali em Sepang para que o nome deste abutre seja colocado na boca de um sapo. Que lhe caia a língua. Que engula o fone de ouvido. Que aftas altamente contagiosas lhe impeçam de tagarelar pelos próximos 37 anos.
Ah, aparte: sem essa conspiração de “ui, foi combinado, jogada ensaiada, etc”. A Sauber paga a conta para ter os motores e cabô. Fim. Cada uma cuida da sua vida.
Mas foi bom, pelo menos. A F1 é um mundinho bem cretino e sem-vergonha quando quer, mas tem lá seus momentos legais. O de hoje foi excelente. O que é ruim para Massa, que terminou em péssimo-quinto, andando para trás, para trás, bem para trás, e seu companheiro vencendo, “estamos orgulhosos de você, Fernando”, e Massa zerado na tabela, com resultado prático igual ao de Pic, da Marussia. Felipe vai ter de se cuidar muito nestas próximas semanas, porque o que vão comer-lhe o toco está escrito na Autosprint e nos demais veículos italianos de comunicação.
E com toda razão. E se Massa tinha um ‘match point’ a salvar, perdeu feio. A Ferrari sai com a sensação de Sepang que um carro que ganha corrida não é problema. Finito.
E Alonso é líder do campeonato. A vida é muito engraçada.
E que baita prova de Senna. Excelente, mesmo. Bruno anda demais na chuva, o gene está lá. Grande problema foi seu início, em que rodou e zoou a asa dianteira. Ajudado pela bandeira vermelha, foi se recuperando e passando um a um, andando por muitas vezes no ritmo do duo Alonso-Pérez. Chegou ao sétimo posto com belas ultrapassagens, colou em Raikkonen, e ganhou o sexto lugar graças ao pneu furado de Vettel, que foi tocado por uma HRT — quem nunca? Aí, sim. Aí Senna vai mostrando sua qualidade. E a qualidade desta Williams que, enfim, dá gosto de ver.
Webber não fez lá muita coisa, mas de novo foi quarto. Tá melhor que Vettel, que ficou putito com a HRT — quem nunca? Kimi terminou em quinto, mas nem apareceu como se pensava. A Force India mid-mouth pôs Di Resta e Hülkenberg em sétimo e novo, respectivamente, e Vergne, que é outro a ser observado, pontuou entre eles. Schumacher, fraco, foi décimo com a fraca Mercedes — sim, esse carro não vai em corrida, tá lôco.
Button, todo lorde, não obteve êxito em sua recuperação. Acontece. Não dava pra fazer muita coisa caindo para 20º e naquelas condições e sem aderência. Mas digamos que seja muito cedo para ter uma prova para descartar resultado, tal qual Vettel. Hamilton, com a feição da flacidez glútea, agradece.
E falando em agradecimentos, obrigado, Pérez. Mesmo.