Blog do Victor Martins
F1

Foi Maluf quem fez, 3

SÃO PAULO | É, rapaz, a F1 é momento, e o momento é de Alonso. E o momento não é de Vettel. O moleque realmente não está no ano dele. Liderou todos os treinos livres e sentiu o nabo na classificação. Ainda mais porque no Q3 havia jogado no lixo sua primeira volta rápida e […]

SÃO PAULO | É, rapaz, a F1 é momento, e o momento é de Alonso. E o momento não é de Vettel. O moleque realmente não está no ano dele. Liderou todos os treinos livres e sentiu o nabo na classificação. Ainda mais porque no Q3 havia jogado no lixo sua primeira volta rápida e só tinha outra para tirar o espanhol do primeiro lugar. Vinha bem no começo, mas no segundo trecho da pista, o alemão raspou num dos muros de Cingapura. Parece exagero, mas o segundo é, sim, um mau resultado. E considerando que os carros da Red Bull não tem lá feito largadas das mais proveitosas, o negócio tende a ficar pior.

Sobre Alonso, não há muito o que falar. Destruídor de apostas e de previsões. O cabra é muito bom, mesmo. Recolocou a Ferrari no eixo em um ano que parecia desprezado pelos lados de Maranello. E tem até feito Massa se sentir desprezado. Hoje foi um problema no carro, mas Massa definitivamente não acompanha o ritmo do espanhol. Tem até teorias aqui e ali que voltam a falar de sua saída da equipe, gente que até o coloca na Sauber, num pacotão que inclui motor e câmbio, uma besteira — até porque a Sauber nem deve ser Sauber no ano que vem, provavelmente será Telmex ou el equipo del señor Slim.

Na segunda fila vem a McLaren. É a equipe mais coesa, pelo menos. Pode não ter a maior velocidade final, mas anda no ritmo das rivais. Diriam os puristas que é carro de corrida. É bom abrir o olho, de fato. Hamilton e Button estão arredios e quietos demais. Não seria de se estranhar um bote, com uma pista provavelmente úmida em decorrência da chuva de sempre — até porque não haverá treino para ajudá-la a secar.

Webber vai mal, obrigado. Quinto é o máximo que deve conseguir no fim de semana. Dez pontinhos. É rezar para que Hamilton fique onde está, em terceiro, para não perder a liderança — no caso, os dois empatariam. O australiano nunca haverá de se achar em Cingapura. Paciência. O jeito é aproveitar o erro alheio.

Barrichello mandou bem, de novo. Colocar essa Williams limítrofe em termos de potência em um sexto lugar é um feito e tanto. Tomou só 0s3 de Webber. Acertando a largada, janta o australiano e o segura até a parada nos pits. Rubens, claro, vai renovar com a Williams, não tem como ser diferente. Tem lenha para queimar, três ou quatro anos ainda, nesta F1 que premia a constância e quem está no meio.

Kobayashi em nono. O japa é ótimo, também. Um mito, diriam por aí. Concordo. Alguersuari também foi bem. Acho que ligaram o rapaz na picape e ele se animou com algum eletro, um house, um psy, uma música eletrônica da vida. E Senna tomou 1s2 de Klien, que estreia na Hispania. Aliás, Senna errou muito no fim de semana. Seu maior erro, no entanto, foi aquele concurso malfadado do Helmet Challenge, uma farsa fraudada, que prejudicou nosso grandioso Bruno Mantovani. A história toda pode ser lida aqui. Não é questão de perder. Perder faz parte do jogo e da vida, e é assim pra todo mundo. Agora, diante de tantas evidências, a organização — feita por Bianca, a irmã de Bruno — lavar as mãos e dizer que o negócio foi legal, é inaceitável.

Só uma projeção, se a prova terminar como está o grid de largada: Webber e Hamilton empatariam em 197, Alonso saltaria para 191, Vettel ainda sairia no lucro e pularia para 181 e Button ficaria com 177. Isto é, todo mundo se manteria na paçoca com quatro provas para o final. O campeonato segue deveras interessante. Como deve ser a aguardada corrida na noite cingapuriana.